O Centenário de uma Cultura
20 Junho, 2008 at 3:39 pm | In Matérias | Leave a CommentPor Camilla Chevitarese e Tauana Campos
Declarado Monumento Histórico da Humanidade em 1989, o Teatro Cólon, em Buenos Aires, é referência quando se trata de cultura na América Latina. O teatro está fechado para restaurações e reformas, que deveriam estar concluídas neste ano, com sua “reinauguração” fazendo parte das comemorações de seu centenário, completado justamente em 2008. Para quem conheceu o imponente prédio e teve oportunidade de assistir a um espetáculo no local, como a chilena Ema Taricco, o Colón é marcante e inesquecível. “Vale a pena só passar por lá e admirar o prédio”, como ela o fez recentemente.
O novo prazo para o término das obras é 2010. Taricco, que conta orgulhosa que o Cólon tem este nome em homenagem a Cristóvão Colombo, recomenda que, com a reabertura do teatro ao público, todos que tenham oportunidade assistam a algum espetáculo lá ou ao menos conheçam o prédio.
História
Inicialmente, o teatro localizava-se na Plaza de Mayo e foi inaugurado no dia 27 de abril de 1857, com uma montagem da obra “La Traviata” de Giusepe Verdi. Ele teve que fechar suas portas em 1888 e o edifício foi comprado pelo Banco da Nação Argentina. Com o dinheiro arrecadado um novo prédio foi construído para abrigá-lo e até os dias de hoje o Cólon fica entre a famosa Avenida 9 de Julio e a Plaza Lavalle. Em 1908 o Teatro Cólon reiniciou suas atividades, dessa vez com a peça “Aída”, de Verdi.
Projetado por Francesco Tamburini e Víctor Meano, a construção levou 18 anos para ser concluída. O teatro tem acomodação para quase 3.000 pessoas e é reconhecido por ser um dos melhores espaços para apresentações de ópera. Artistas de renome mundial como Arturo Toscanini, Jane Bathori, Enrico Caruso, Maria Callas, Plácido Domingo, Luciano Pavarotti e Astor Piazzolla já realizaram performances no local. Além de óperas, o Cólon também já foi palco para apresentações de balé, música popular e até eventos oficiais e privados.
Reforma
A Secretaria da Cultura de Buenos Aires elaborou um Master Plan para ampla e detalhada restauração do Teatro Cólon. Inicialmente as obras tinham um prazo de sete anos, começaria em 2001 e terminaria em 2008, ano em que o Cólon completa cem anos. Entretanto, no dia da comemoração o teatro permaneceu fechado em decorrência do atraso das obras. O teatro não esteve fechado por todo o tempo da reforma. Em uma primeira fase foram realizados relevamentos, diagnósticos, documentação digital e seqüências de ação. Na segunda fase foram previstos projetos e licitações, assim como obras, porém, com o teatro aberto, foi somente na terceira fase, que teve início em 2006, que o teatro fechou suas portas para o público.
Os objetivos gerais do Master Plan pretende explorar os seguintes aspectos: Ampliação da qualidade e quantidade de oferta de espetáculos musicais, melhora de serviços para o público, empregados e artistas; valorização e conservação do patrimônio edificado; atualização tecnológica do cenário e instalações; novo tipo de funcionamento e otimização do edifício existente, hierarquização da colocação urbana e otimização do gasto público.
Referência mundial
Nascida no Chile, a professora Ema Taricco, 62, veio para o Brasil aos cinco anos de idade. Ela costumava passar suas férias na casa de familiares na capital argentina e, assim, teve a oportunidade de assistir a muitos espetáculos e por diversas vezes pode contemplar a grandiosidade do Cólon. Para a professora o teatro é “quase uma parada obrigatória”, tamanha sua importância para a cultura mundial. Ema lembra que em sua última viagem para Buenos Aires, o teatro já estava fechado para reformas, mas isso não a incomodou, pois “tudo que serve para aprimorar a cultura, vale a pena”.
Taricco conta que, em sua última viagem a Buenos Aires, realizada há cerca de dois anos, prédio estava em obras e fechado ao público. Mesmo assim fez questão de, num passeio pela cidade, passar em frente ao Colón para “matar saudades” e rever o que considera “uma referência entre os teatros, o mais importante de toda a América Latina”. A professora chilena conta nunca ter assistido a algum espetáculo “conhecido mundialmente”, mas que assistiu a muitos outros, embora não se recorde “de cabeça” dos nomes das apresentações, “pois já faz muito tempo”.
“Me lembro das danças, de cantores conhecidos que faziam apresentações lá. Era quase que uma parada obrigatória das turnês que os artistas estrangeiros faziam pela América Latina, o que demonstra a importância do Cólon. Para se ter idéia de sua importância, os artistas nem pensavam em se apresentar no Teatro Municipal de São Paulo, por exemplo”, detalha Tarricco.
A professora considera “superinteressante” as obras de restauração do Cólon, assim como tudo o que “serve para aprimorar a cultura vale a pena. O nome Colón é uma referência a Cristovão Colombo, ou seja, é um teatro que faz parte da história. Estas atividades são ótimas porque assim é possível mesclar o passado e o presente. Quem, assim como eu, já entrou lá, vai poder reviver os momentos, admirar a arquitetura e se encantar com os espetáculos. E aqueles que não tiveram a oportunidade de conhecer podem ter uma nova chance agora.”
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