Teatro sem fronteiras

25 Junho, 2008 at 2:25 pm | In Matérias | Leave a Comment

por Monali Bassoli e Vinícius Saccomani

      Durante oito anos, o Teatro Kaus Cia. Experimental apresentou em suas peças dramaturgos brasileiros. Mas o diretor Reginaldo Nascimento queria fazer algo diferente, inédito na cena paulista. Ao perceber a ausência de grupos que trabalhassem com autores latino-americanos, decidiu, então, pesquisar conteúdos de outros países da América Latina.

 

Nascimento e o seu grupo decidiram procurar textos teatrais em todos os lugares. Liam tudo que chegava às suas mãos. O problema era que alguns destes textos não tinham tradução e outros eram de difícil acesso, como os de Cuba, por exemplo.

 

 “Buscávamos um encontro que pudesse colaborar com a cena paulista apresentando um pequeno, mas importante, traço do exercício de conhecimento da dramaturgia latino-americana”, comenta o diretor.

 

Mas foi com a indicação de outro diretor, Alexandre Mate, que o grupo encontrou o que seria sua principal fonte de pesquisa, o site do CELCIT (Centro Latino-Americano de Criação Teatral). Esse site ajudou o Kaus a conhecer novos textos, escritores e histórias, até então, desconhecidos. Segundo Nascimento, definir por onde começar talvez tenha sido a tarefa mais difícil, pois era grande o número de bons textos vindos de outros países.

 

O estudo começou em janeiro de 2005 pela dramaturgia chilena, devido a facilidade de acesso ao texto já traduzido. O resultado foi a montagem da peça ‘Infiéis’ de Marco Antonio de la Parra. A partir daí, segundo o diretor, “fez-se despertar a necessidade de conseguir novos materiais de pesquisa, criar condições para que tivéssemos acesso a mais opções de textos e dramaturgos que pudessem ser traduzidos e encenados”.

 

Foi aí que nasceu o projeto Fronteiras – O Teatro na América – Latina. Os primeiros trabalhos foram direcionados em dramaturgos da Argentina e Venezuela. Fazendo contato direto com estes países, chegaram aos nomes do argentino Santiago Serrano e do venezuelano Edilio Peña. Os textos e pesquisas destes dramaturgos foi o suficiente para abrir o diálogo entre a realidade teatral do Brasil e destes países.

 

Porém, o projeto só foi concretizado em agosto de 2006, devido a Lei de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo, que possibilitou o encontro de idéias, a discussão com os dramaturgos dos três países, tradução de textos e encenação, ou seja, tudo aquilo que estava sendo desenvolvido pelo Teatro Kaus. A trilogia latina foi composta por: ‘A Revolta’ de Santiago Serrano, ‘El Chingo’ de Edilio Peña e ‘Infiéis’ de Marco Antonio de la Parra.

 

História

 

O Teatro Kaus Cia. Experimental foi criado em dezembro de 1998 pelo diretor Reginaldo Nascimento e pela atriz e jornalista Amália Pereira com o desejo de aprofundar estudos relativos ao trabalho do ator, a partir da dramaturgia brasileira e temática social.

 

O projeto de criação da Companhia teve início em 1996, em São José dos Campos, após a montagem do texto ‘Homens de Papel’ de Plínio Marcos. Surgiu assim, a linha de estudos do Teatro Kaus Cia. Experimental. Em 2000, foi realizado o projeto. ‘Brasil em Cena’, uma trilogia com ‘O santo e a porca’,de Ariano Suassuna, ‘O cocô do cavalo do bandido’, de Chico de Assis e ‘Oração para um pé de chinelo’, de Plínio Marcos.

 

A Companhia teve como foco dramaturgos e autores brasileiros até o ano de 2004. Em janeiro de 2005 começaram os estudos da dramaturgia latino-americana, dando origem ao projeto Fronteiras – O Teatro na América Latina.

 

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