150 anos do Theatro São Pedro

2 Julho, 2008 at 11:51 pm | In 1 | Leave a Comment

Por Natalia Manczyk

Fundado em 27 de junho de 1858, época em que a cidade de Porto Alegre tinha apenas 20.000 habitantes, o Theatro São Pedro já recebeu personalidades  como Arthur Rubinstein, Villa-Lobos, Cacilda Becker, Olavo Bilac e Getúlio Vargas.

A comemoração durou toda a tarde do dia 27 e teve a apresentação do espetáculo “Ensina-me a Viver”, com a atriz Glória Menezes, e um “Parabéns a você” tocado pela Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa).

Publico aqui algumas fotos tiradas pelo amigo e fotógrafo da Zero Hora, Daniel Marenco, desta que é uma das mais belas casas de espetáculos do Brasil.

Teatro latino-americano: preconceito e falta de divulgação

24 Junho, 2008 at 12:20 am | In 1, Matérias | Leave a Comment

Por Júlia Aronchi e Natália Manczyk

A peça Valsa das Solitárias, que está em cartaz na Casa das Rosas, em São Paulo, foi estendida até 29 de junho. São três monólogos dirigidos por Diego José Villar, onde as atrizes e também produtoras Patrícia Leornadelli, Fernanda Cunha e Líria Varne trazem com sutileza e ironia a única montagem de um autor latino-americano em cartaz, atualmente, na capital paulista.

A obra é do dramaturgo argentino, naturalizado chileno, Jorge Díaz que faleceu no ano passado aos 77 anos. Os esquetes interpretados, “Um Negócio de Peso”, “O Jardim das Delícias” e “Casta Diva”, fazem parte de um compêndio de textos escrito pelo autor entre 2002 e 2003, que trata sobre os dramas do universo feminino. Os monólogos mostram, respectivamente, o culto ao corpo, o relacionamento familiar e a dificuldade do mercado de trabalho.

Patrícia Leonardelli, natural de Porto Alegre, fez mestrado e doutorado na faculdade de Artes Cênicas da USP Universidade de São Paulo-, onde lecionou e criou, em sua disciplina, um grupo de estudos de dramaturgia latino-americana contemporânea. “O intuito era descobrir textos de autores que não se montam no Brasil e que pouco se fala”. Ela conta que na faculdade as peças sequer são sugeridas pelos professores.“Foi com essa pesquisa que eu encontrei a Valsa das Solitárias e como as meninas ( as duas outras atrizes) estavam buscando textos desafiadores que nos colocassem no limite e nos fizesse experimentar curvas dramáticas, escolhemos este conjunto de textos”.

Patrícia conta que, no Brasil, ainda não há muita pesquisa sobre esse tipo de dramaturgia por causa do preconceito. “A gente fala latino- americano como se nós não fizéssemos parte disso. Mas só nós somos assim, o intercâmbio entre os outros países vizinhos é muito maior”. Para Patrícia, a língua diferente não significa um obstáculo para a representação dos textos, já que o espanhol não é incompreensível a tal ponto. “Esta é uma questão de colonização mesmo, este é o grande entrave”. Segundo ela, os problemas começaram com a ditadura. “Antes, existia uma integração, existiam momentos, conversas, existiam viagens. Mas fecharam a fronteira, impediram a comunicação, enfiaram americano aqui, enfiaram Mc Donald’s. E até hoje a gente está assim, nós somos colonizados”, repete.

Ela também atribui a culpa pela falta de divulgação do teatro latino-americano às instituições, que dificultam o patrocínio. Enquanto a Cultura Inglesa faz, segundo ela, “um trabalho louvável” com a organização de três festivais anuais (o Tim Festival, o Drama Festival e o festival de divulgação da dramaturgia britânica contemporânea) e dá entre 30 e 35 mil reais para quem deseja produzir uma peça inglesa, o Instituto Cervantes não organiza eventos deste tipo e dificulta o apoio às produções culturais. “Não é à toa. Os ingleses são mais ligados. Eu estou de mecenas. Eu! E o Cervantes não pode pagar?”.

Sobre a recepção de textos latino-americanos pelo público, Patrícia acredita que as diferentes realidades vividas entre os diferentes países não são um problema para o entendimento das obras. Segundo ela, a temática é coletiva e a memória histórica latino-americana é comum. “O que aconteceu com a gente aconteceu com todos os países. Todos fomos brutalmente colonizados, todos sofremos ditaduras, todos temos nossas feridas e todos estamos atrás da nossa historia que não esta clara”.

Conforme a atriz e professora, ouve-se muito que as obras latino-americanas são afetadas ou “calientes” e, com isso, os textos são tratados somente de forma sarcástica. “Eu já li críticas dizendo que a dramaturgia latino-americana é de ‘tipos’, sem profundidade, o que é uma grande bobagem e mostra que as pessoas efetivamente não conhecem”. Ela completa: “Nós sabemos de todos os norte-americanos contemporâneos, mas não sabemos dos latinos americanos, o que é paradoxal”.

Em maio deste ano, uma mostra da Cooperativa Paulista de Teatro trouxe um pouco da dramaturgia latino-americana a São Paulo. O evento reuniu 11 companhias teatrais que representaram as artes cênicas de sete países, além de palestras e debates sobre os atuais problemas que enfrenta o teatro da região. Patrícia concorda que a iniciativa foi positiva estimulando a formação do público. “Isso vai fazendo as barreiras caírem e vai tirando um pouco dessa visão elitista babaca sobre o que se produz na América Latina”.

A escolha do texto de Jorge Díaz se deu por ele trabalhar com o limite muito delicado entre o que é absurdo e o que não é. “O tempo inteiro ele joga com o que é esquisito, o que é familiar, engraçado e o que é constrangedor. Esses textos eram o que sintetizava melhor essa estratégia literária do autor”, afirma Patrícia.

O subgênero Teatro do Absurdo, onde muitos encaixam a obra de Jorge Diaz, é polêmico, mas, como explica Patrícia, não tem como desconsiderar a raiz do mágico na literatura latino-americana. “O que a gente chama de mágico é essa coisa de brincar com realidades tão fabulosas quanto a realidade verdadeira. E nisso Gabriel Garcia Marques é o maior de todos os autores”.

Um recurso usado para montagens latino- americanas é misturar as duas línguas, gerando uma sonoridade que o público reconhece mas não é comum. Colocar palavras em espanhol gera uma esquisitice, mas não pode causar estranheza, explica Patrícia: “Algumas palavras a gente tirou porque o nosso diretor achava que ficava muito esquisito. Por exemplo quando o meu personagem fala para o Chiquinho parar de comer os seus dedinhos que não são doces porque se não ele vai ficar manco (rs). Mas ‘manco’ a gente usa mais pra falar do pé e daí trocamos por ‘aleijado’.

Algo semelhante quase aconteceu em outro momento da peça quando a personagem se refere ao médico como um ‘desalmado’. “Mas essa palavra a gente não tirou porque tinha uma esquisitice de texto latino e não queríamos que ficasse um coloquial brasileiro”.

A peça ora choca ora conforma e, por vezes, nos faz rir e pensar. Vale a pena ir até a bela Casa das Rosas e contemplar o ambiente intimista da sala de espetáculos com capacidade para apenas 25 pessoas na platéia.

Serviço: A Valsa das Solitárias. Casa das Rosas, Av. Paulista número 37. Sábados às 21h00 e Domingos às 19h00. 14 anos. Até 29 de junho. R$ 15.

A descoberta das religiões

23 Junho, 2008 at 7:10 pm | In 1 | Leave a Comment

por Yuri Machado

O GTP (Grupo de Teatro da Poli) terminou recentemente o ciclo de apresentações da peça de Millôr Fernandes, “O homem do princípio ao fim”. Conhecidos pelo uso de soluções cênicas inusitadas, o grupo, no caso, usa de um boneco em fantoche para interpretar um texto de Millôr.

No momento, preparam nova peça a ser apresentada no Biênio, Cidade Universitária.

Valsa das Solitárias

23 Junho, 2008 at 4:00 pm | In 1 | Leave a Comment

por Júlia Aronchi

Clipe da peça teatral em cartaz na Casa das Rosas.

Casa das Rosas, Av. Paulista nº37. Sábados às 21h00 e Domingos às 19h00. R$ 15. Censura 14 anos. Até 29 de junho.

 

Gravação do CD de “A Noviça Rebelde”

8 Junho, 2008 at 11:35 pm | In 1 | Leave a Comment

Por Natalia Manczyk

Repressão e Resistência

26 Abril, 2008 at 10:52 pm | In 1 | Leave a Comment

 

Por Tauana de Campos

À época da ditadura militar, a partir de 1964, recrudescendo a censura sobre as atividades e manifestações políticas, o movimento de resistência era forte no movimento estudantil e na área cultural. O teatro foi palco de grandes embates entre a censura e produção artística. A partir de 1965, a pressão começou a aumentar, com o emprego exagerado da censura.

          No começo eram apenas cortes em peças, mas em março de 65 a censura proibiu uma obra completa, a peça “O Vigário”, de Rolf Hochhuth, montada no Rio de Janeiro. Já em julho do mesmo ano, um espetáculo foi censurado antes mesmo de sua estréia, “O Berço do Herói”, de Dias Gomes.

O início da ditadura militar coincidiu com a efervescência de dois grandes grupos teatrais, o Oficina e o Teatro de Arena, que buscavam uma função ideológica, de conscientizar o povo. Desta forma, temas nacionais, ao contrário da maioria das produções até então, eram a tônica desses grupos. Com foco na realidade nacional, foi natural seu engajamento e a politização de seu trabalho, tratando de assuntos da população brasileira, em especial da classe trabalhadora.

No fim da década, a repressão cultural, à sombra do Ato Institucional número 5 (AI 5), decretado em 1968, extremou-se. O governo, com a medida, passou a exercer a censura prévia, que se estendeu ao teatro, à música e ao cinema de assuntos de caráter político. Filmes passaram a ser proibidos, livros censurados, revistas tiradas de circulação, letras de música cortadas, capítulos de novelas cancelados e peças de teatro vetadas. Entre estas, encontravam-se, por exemplo, “Abajur Lilás”, de Plínio Marcos, e “Calabar”, de Ruy Guerra e Chico Buarque.

         Mas o teatro continuava resistindo. Em especial, as montagens de textos de Bertolt Brecht, poeta e pensador alemão, acentuavam a ênfase na temática política e social. O teatro inconformista entrou no ano de 1968 sofrendo os rigores do que, naquela altura, já era uma guerra aberta, deflagrada pela censura.

 

Blog no WordPress.com. | Theme: Pool by Borja Fernandez.
Entries and comments feeds.